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Cordel do Fogo Encantado e MIMO Festival celebram retorno simbólico em Olinda

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Nesta sexta-feira (12) o MIMO Festival dá início à programação da sua 16ª edição em Olinda, onde o projeto surgiu. O retorno acontece depois de sete anos de ausência do festival na cidade, que volta a ocupar o Sítio Histórico com atividades ligadas não só à música, mas também cinema, debates e outras manifestações artísticas.

Da mesma forma que o festival retorna de um hiato, a atração principal de seu primeiro dia também quebra uma pausa de sete anos. O Cordel do Fogo Encantado está de volta – em formação original – para uma “terceira temporada”, dessa vez com um espetáculo especialmente pensado para esta apresentação. 

Com relação às coincidências do retorno da banda e do MIMO Festival, o vocalista Lira (que agora emplaca um novo nome sem diminutivos) fala sobre esta nova reunião do grupo para a Revista O Grito!.

“É tudo permeado por muito simbolismo. O retorno do MIMO, que é um festival importantíssimo em Olinda, culturalmente falando; o Cordel com a sua formação original, mantida desde 1999, em um espetáculo que traz estruturas pensadas para ele; e o fato de ser na Praça do Carmo, um espaço simbólico para Olinda e para nós, que surgimos como um espetáculo em praça pública”, afirma o poeta e vocalista do grupo.

Nesta apresentação, a banda vai trazer suas músicas mais antigas, como as faixas do álbum de estreia, mas também duas composições inéditas que vão ser apresentadas pela primeira vez ao vivo.


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“Sempre tivemos essa relação com o público, de trazer músicas novas no palco e fazer essa troca. Essas novas faixas fazem parte de uma nova fase e resultarão em um futuro álbum, que pode sair no primeiro semestre do ano que vem”, adianta Lira.

Ao longo de mais de duas décadas como grupo, o Cordel do Fogo Encantado conserva certos traços que se mantêm mesmo através dos períodos de pausa do grupo – intervalos que já chegaram a mais de dez anos entre um trabalho e outro. Lira reforça que a consistência na personalidade e estética da banda vêm de uma noção bastante consciente daquilo que dá singularidade à sua arte. 

“O papel da percussão é algo central no que fazemos. Temos dois ogãs no grupo, o que traz uma carga de respeito aos tambores por questões ritualísticas”, conta. “É muito interessante isso porque quando trabalhamos com Naná Vasconcelos [que produziu o primeiro álbum de estúdio da banda em 2001] nós fomos tidos como ‘anti-pop’ porque não tínhamos características musicais comuns às outras bandas.”

Para o vocalista, apesar de toda a solidez das obras do Cordel do Fogo Encantado, as pausas são também um momento em que os integrantes podem reorganizar sua “bagagem”, na intenção de trazer algo novo às produções da banda, num diálogo entre as raízes que formaram o grupo com o que cada membro adquiriu em seu momento solo.

As raízes às quais Lira se refere são a poesia e a palavra, esta última com um papel central na nova montagem do grupo. “Usaremos muitas palavras nas projeções, que confirmam nosso compromisso com a literatura. Está no nome da banda: Cordel. Por isso assumimos e mergulhamos nessa investigação. Voltamos fazendo esse forte estudo com as palavras. O nome do show veio daí”.


Cordel convida

Outra tradição que o Cordel tem implementado nos seus últimos trabalhos é a participação de cantoras e artistas convidadas. Desta vez quem se junta à banda é Maria Flor, “uma multiartista talentosa”, como o próprio Lira a descreve.

Alinhando o retorno da MIMO com o retorno do Cordel do Fogo Encantado, há uma expectativa e uma certa nostalgia, mas Lira aponta que esse não é o sentimento que conduz o show. O artista reforça que grande parte do que o grupo tem a dizer nesse show é novo e, como ele mesmo falou anteriormente, aponta para projetos futuros da banda. 

“Espero que o público curta o show. Essa troca é muito importante para nós e tem ainda todo esse simbolismo da Praça do Carmo como um espaço público, de onde surgimos”, finaliza. 

A programação do primeiro dia do MIMO Festival começa às 20h30 desta sexta (12), com set do DJ Pedro D-Lita, seguido por Anne Paceo (França) às 21h30, Cotia (Ilha da Reunião) às 23h e, encerrando a noite, Cordel do Fogo Encantado à 0h30. O show é gratuito e aberto ao público.

 
 
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